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Ricardo Salles

Ricardo Salles: do ativismo social à política partidária

O ano de 2018 começou promissor para todos os brasileiros que acreditam na liberdade e na capacidade individual de cada um de nós. Ainda que aos poucos, o país continua corrigindo os graves erros políticos, culturais e mesmo criminais que o levaram à pior crise de sua história. Nos dias de hoje, as pautas liberais arejam livrarias, estimulam debates públicos e entusiasmam a juventude. Mas se em 2018 defender a liberdade é fácil, uma década atrás as coisas eram muito diferentes. E, no entanto, já naquele tempo, Ricardo Salles se erguia publicamente contra a natureza controladora da esquerda.

No começo de 2006, fundando com um grupo de amigos o Movimento Endireita Brasil, Ricardo Salles visava mais que um mero movimento social; o objetivo daquela ação era criar uma plataforma a partir da qual cidadãos comuns do setor privado pudessem tomar parte na vida pública brasileira. Foi a partir daí que Ricardo Salles, candidato a deputado federal já naquele mesmo ano, começou a dar vazão ao caráter pioneiro de sua trajetória política, ao fazer uma campanha baseada em redes sociais numa época em que a própria noção do que seria uma “rede social” apenas começava a se formar.

Doze anos atrás, a ausência do Facebook, do Twitter, do Instagram e de outras redes era apenas uma das dificuldades que uma candidatura liberal enfrentava. Na época, ninguém se assumia de direita nem mesmo na vida privada; imagine-se na vida pública.

Em 2006, mesmo abalado pelo Caso Mensalão — escândalo de corrupção até então sem paralelos na história da política brasileira —, o Partido dos Trabalhadores parecia imbatível: não só o então presidente Lula decidiu se candidatar à reeleição como liderou as pesquisas de intenção de voto e popularidade durante a campanha. Em coro, formadores de opinião repetiam dia e noite que, com a política econômica de equilíbrio adotada por Lula, a tensão entre direita e esquerda havia relaxado, e pautas liberais, como privatizações, ou conservadoras, como uma segurança pública mais rígida, estariam ultrapassadas.

Enquanto partido, governo e estado se fundiam numa gigantesca quimera que seduzia o apoio da população com políticas assistencialistas que eram verdadeiros becos sem saída, ao mesmo tempo que chantageava o grande empresariado e estrangulava a livre concorrência, o espectro político brasileiro ia somente desde a centro-esquerda até a extrema-esquerda.

Com aquela sua primeira campanha a deputado federal, Ricardo Salles empenhou muito mais que suas convicções ideológicas. Graduado e pós-graduado em Direito em prestigiadas universidades do Brasil e da Europa, já se dedicava então a uma prolífica carreira jurídica, em que atuou como Diretor Jurídico da SRB (Sociedade Rural Brasileira), Diretor e Conselheiro do IBRAC (Instituto Brasileiro de Estudos de Concorrência, Consumo e Comércio Internacional), Diretor do CESA (Centro de Estudos das Sociedades de Advogados), Diretor Jurídico da Câmara Espanhola de Comércio e Conselheiro da CCILB (Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira), Presidente da Vila Acalanto – Abrigo para Menores e Vice-Presidente da SARP (Sociedade Amigos do Real Parque). Foi conjugando sua atividade profissional ao seu ativismo político que Ricardo deu o exemplo da figura que o Endireita Brasil queria estimular desde o início: a do cidadão que, enquanto contribui produtivamente para a construção de um país, também participa de maneira atenta e diligente de sua vida pública.

Foi com esse espírito que continuou à frente do MEB, promovendo ações para chamar a atenção da sociedade para pautas como a redução da burocracia e o direito à propriedade privada. Entre essas ações, ganharam ampla repercussão o Dia da Liberdade de Impostos, inaugurado em 2007 numa associação com o Instituto Mises, em que, todo dia 25 de maio, o MEB realiza uma parceria para oferecer gasolina com o desconto de todos os impostos, bem como a participação do MEB como copatrocinador do Fórum da Liberdade em Porto Alegre.

Esse período foi marcado pelo reconhecimento internacional do MEB, que recebeu convites da Atlas Research Foundation e da Heritage Foundation para participar do Liberty Forum, nos Estados Unidos, e coroado pela expressiva votação de cerca de 30 mil votos que Ricardo recebeu em sua candidatura como deputado estadual, em 2010.

Acumulando as experiências eleitorais próprias, combinadas ao apoio de candidaturas municipais, e ao envolvimento no debate público nos anos não-eleitorais, Ricardo recebeu o convite do Governador Geraldo Alckmin para atuar como Secretário Particular, cargo que, além de suas atribuições organizacionais, servia de interface entre o gabinete do Governador e todas as demais secretarias. Do início de 2013 ao final de 2014, Ricardo teve atuação firme na Secretaria Particular, afastando a confusão de baderneiros sociais do gabinete do Governador, de cuja campanha à reeleição, vitoriosa já no primeiro turno, participou ativamente.

Àquela altura, o Brasil já assumia outra expressão. Com as manifestações de 2013, o povo tinha percebido que era possível tomar as rédeas do próprio país, e a imagem das ruas cheias de gente trabalhadora, participando voluntariamente da política nacional, já tinha passado a povoar o horizonte imaginativo de todos os brasileiros. Por sua vez, a Operação Lava Jato já causava alvoroço entre peixes graúdos da elite política do Brasil, sempre avançando apoiada em suas três pernas: a força-tarefa empenhada na revelação de ilícitos, que por sua vez alimentava a imprensa vigilante, que por seu turno motivava a indignação da população, que, fechando a corrente, legitimava a operação e fazia pressão positiva para sua manutenção. Dentro desse círculo virtuoso, Ricardo Salles teve papel importante, como um dos líderes dos movimentos de rua que serviram de plataforma para os milhões de brasileiros que voltaram a ocupar as principais vias urbanas do país entre 2014 e 2016.

Entre muitos movimentos sociais de direita recém-formados, a sensação de Ricardo Salles, presidente do Movimento Endireita Brasil, era de dever cumprido. Primeiro de muitos, o MEB confirmou ali sua vocação inicial, a de ser a primeira gota de uma tempestade popular que arrasaria o confortável marasmo da velha política. Mas se o engajamento do setor privado na vida pública estava consolidado, aquele ainda era o primeiro passo efetivamente dado de uma longa caminhada rumo à liberdade.

Em sua atuação como Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Ricardo Salles teve a oportunidade de plasmar o ideário do Movimento Endireita Brasil em políticas públicas de desburocratização, de redução do tamanho e do papel do Estado na sociedade civil, e de neutralização da ideologia na resolução de problemas práticos em áreas como agricultura, indústria e setor imobiliário. À frente da Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo, Ricardo Salles percebeu que se aproximava o momento preciso em que o povo brasileiro seria chamado a dar um novo passo.

Ao longo dessa trajetória política, confirmaram-se na prática algumas ideias que Ricardo Salles sempre teve para si: a de que o liberalismo não é uma utopia inalcançável, mas sim uma maneira de fazer política que facilita o intercâmbio voluntário entre as pessoas; a de que o conservadorismo não é uma ideologia abstrata, sem programa e sem proposta, mas sim uma tendência de conduta com um norte moral preciso, que não tolera o relativismo, a permissividade e a impunidade que emporcalham a atividade política; e a de que ambas linhas de pensamento convergem numa mesma atitude que todo homem público do país deveria ter: deixar o brasileiro trabalhar em paz. ■