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Salles cobra transparência de Tebet e aciona o MPE por mudança de domicílio eleitoral

O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) protocolou, na segunda-feira (13/7), uma representação junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) pedindo a abertura de uma investigação aprofundada sobre a transferência do domicílio eleitoral da ex-ministra Simone Tebet (PSB-SP), de Mato Grosso do Sul para São Paulo. Salles e Tebet disputam, ambos como pré-candidatos, uma das vagas ao Senado por São Paulo — e o gesto do parlamentar do Novo evidencia, mais uma vez, a atenção que ele dedica à lisura do processo eleitoral, marca registrada de sua atuação pública desde os tempos à frente do Movimento Endireita Brasil.

Um paralelo jurídico bem fundamentado: o caso Moro

Salles não fez uma acusação vaga. Ele apontou um precedente concreto e recente: em 2022, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo cancelou a transferência de domicílio eleitoral do então senador Sergio Moro, que tentava migrar do Paraná para São Paulo sem comprovar vínculo residencial, afetivo ou profissional real com o estado. À época, o relator do caso concluiu que a mudança não havia sido feita “a tempo e modo” que justificasse a nova filiação eleitoral.

Para o deputado, a situação de Tebet guarda uma semelhança estrutural com a de Moro: trata-se de uma lideranca política com carreira consolidada em outro estado — no caso de Tebet, o Mato Grosso do Sul, onde ela ocupou todos os mandatos eletivos e onde seu pai, Raméz Tebet, foi governador — buscando São Paulo apenas como um novo palanque eleitoral. Por isso, Salles solicitou ao cartório eleitoral que informe a data exata da mudança de domicílio e o teor da decisão que a autorizou, além de pedir que a própria Tebet apresente documentos como matrícula de imóvel, declarações de Imposto de Renda e comprovantes de IPTU capazes de demonstrar um vínculo genuíno com a capital paulista.

A representação lembra ainda que, em entrevista à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Tebet chegou a negar que concorreria por São Paulo — e que o anúncio de sua pré-candidatura acabou ocorrendo em Campo Grande (MS), e não em território paulista, o que reforça, na leitura de Salles, o caráter estratégico da mudança.

Coerência com uma trajetória de combate à falta de transparência

O episódio se soma a uma atuação de longa data de Ricardo Salles em defesa da moralização da política e das regras claras do jogo democrático — uma bandeira que ele carrega desde suas primeiras campanhas, marcadas pelo discurso de combate à corrupção, e que o acompanhou também à frente do Ministério do Meio Ambiente, onde priorizou a modernização e a transparência dos processos de licenciamento. Ao acionar o MPE em vez de apenas criticar publicamente a adversária, Salles opta pelo caminho institucional, pedindo que o próprio Judiciário eleitoral avalie os fatos com base em critérios já validados pela Justiça no caso Moro.

Procurada pela imprensa, Simone Tebet não se manifestou até a publicação das reportagens que embasam este texto. Caberá agora ao MPE avaliar se há elementos para a abertura de uma investigação mais aprofundada.

Fontes: