Desenvolvimento é conservação - Ricardo Salles
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Desenvolvimento é conservação

Quando se fala de conservação do meio ambiente, é preciso partir de dois princípios. O primeiro é o de que o meio ambiente é um valor inegociável. Não é preciso observar o planeta do espaço para constatar os resultados catastróficos que podem vir da negligência com o meio ambiente. Qualquer comunidade que vive perto de um rio poluído sente o efeito que isso tem no solo, nas árvores e até nas chuvas.

O segundo: o homem não é um invasor da natureza, mas sim parte integrante dela. O meio ambiente não deve ser considerado um museu natural a céu aberto no qual não podemos tocar ou interferir. Ou seja, nem o homem é inimigo da natureza, nem o meio ambiente é um entrave para o desenvolvimento.

Por isso, é preciso tratar do meio ambiente com seriedade, profissionalismo e realismo, levando em consideração as condições de vida das pessoas em seu entorno, suas atividades profissionais e suas necessidades, que podem ir desde obras de infraestrutura a investimentos para gerar emprego e alçá-las a uma condição de vida melhor.

Conservação: o caminho do desenvolvimento

Quando desenvolvido com cuidado e responsabilidade, o meio ambiente pode inclusive ser mais bem conservado. Se uma área é fechada e mantida como reserva, a sociedade não a valoriza. Afinal, como se valorizar o que não se conhece? No entanto, se a mesma área é aberta à visitação, explorada para o turismo ou o lazer, a conservação passa a ser do interesse da administração do parque e dos visitantes, que passam a cobrar mais fiscalização.

Exemplos concretos dessa visão não faltam. Quando estive à frente da Secretaria do Meio Ambiente, fui responsável pela concessão de diversos parques estaduais para a iniciativa privada. Com esse tipo de medida, grandes áreas naturais que não podem ser mantidas com eficiência pelo Estado passam a ser desenvolvidos pela iniciativa privada.

Além do Estado poder canalizar o dinheiro em serviços básicos como Saúde e Segurança Pública, a empresa começa a atrair um público que vai se conscientizando de que a natureza é muito mais que uma mata fechada distante — é o meio do qual todos nós fazemos parte.

Artigo de Ricardo Salles originalmente publicado no jornal O Diário, de Barretos, em 4/8/18.